As Rosas também falam

Sim, sim, sim, esse amor é tão profundo.

November 11, 2008 |

 

Hoje, considero-me uma pessoa eclética. Gosto de quase todos os estilos musicais, pois acho que todos têm seu devido valor. Mas já critiquei muita coisa que tem por aí. Até achava que algumas bandas (como Bonde do Tigrão, Calypso, Calcinha Preta, etc.) deveriam se acabar aos poucos. Sumir das nossas vidas assim como as antigas caixas amarelas dos Correios. Falo em sumir porque, caso acontecesse um final trágico (como, por exemplo, o acidente dos Mamonas Assassinas), correríamos o risco de assistir a um “especial” em todos os aniversários da morte da banda. E o objetivo era que caíssem no esquecimento.

Porém, venho defender que muitas dessas “bandinhas” já tiveram seu papel importante e até contribuíram com algum hit na vida de muitas pessoas. É aí que entra minha relação com o Br’oz, uma banda formada por 5 garotos (através do programa Popstars, mesmo da formação do Rouge). Estourou com a música “A Prometida” e, de acordo com o Wikipédia, os meninos tiveram um “sucesso estrondoso” e chegaram a vender mais de 350 mil cópias do álbum de estréia. Em julho de 2005, o grupo se separou. Foi cada um para um lado, seguindo caminhos diferentes. Se não tivéssemos as facilidades que um site de busca nos oferece, jamais saberia sobre início e término da banda, pois isso é irrelevante. Tão irrelevante que nem sei por que escrevi aqui. Talvez para que o tamanho deste texto seja proporcional ao anterior. Enfim, eu e o Cabeção sobrevivemos à decadência da banda sem seqüelas.  

No carnaval de 2004, quando fui rainha, a tal música bombava na city. Eu e o Beça passamos as 4 noites inventando coreografias para as músicas, mas a da “A Prometida” atingiu profundamente o coração do público. Nosso sucesso não se limitou ao carnaval. Dançávamos em qualquer festa, principalmente, nos aniversários. Certa vez, comovemos a boa índole do Tássio e do Caio, chegando a arrecadar 15 centavos e um Plets (deu uma drágea pra cada um). Mas não foi por má arrecadação que paramos de dançar. A coreografia era baseada, apenas, na cara de pau, sem ferir princípios éticos e morais, mas não dava pra ficar naquela vibe pro resto da vida…

Certo dia, o Beça resolveu parar de dançar. E paramos, sem ninguém entender por quê. Inclusive, eu, que tive de me consolar com a nostalgia. Assim como a dança, muita coisa morreu aos poucos… as confissões inconfessáveis, as implicâncias dispensáveis e desnecessárias, os telefonemas duradouros (um dos que lembro: “Oi, aqui é da fábrica de rosca de polvilho. Estou ligando para dizer que nossa empresa vai fechar e queremos já deixar pronta sua encomenda para o dia 28 de outubro. Confirma pra mim os sabores: 10 roscas de ricota, 12 de tomates secos com rúcula e 17 de goiabada e doce de leite). A vida nos fez entender que um distanciamento era necessário. A realidade caiu de pára-quedas bem em meio a um mundo de fantasia.

Assim, nos transformamos numa música ao longe, daquelas que a gente pode ouvir e sentir, mas não sabe onde está. Quando falo sobre ele a alguém, apenas digo que é uma pessoa muito especial. Pra vocês, digo mais… uma pessoa que a gente não consegue definir direito, mas que gostaria que estivesse sempre perto, seja num encontro do Nada Chega, num e-mail compartilhado, num rápido telefonema. Afinal, qualquer segundo dele já basta para me sentir mais leve, mais boba, mais Rosália.

Quando falei pro Beça que publicaria no blog um texto sobre ele, fui ameaçada com alguma frase de efeito do tipo “Publicação ou Morte”. Se antes tinha dúvidas sobre expor esse carinho tão especial, depois da ameaça tive certeza. Afinal, são nossas divergências que nos tornam, para sempre e cada vez mais, NÓS. E, obrigada, Br’oz.

 

 

 

Comentários

a MOzara anda inspirada….acho que é o efeito shoyo.
aguardo potes de danoninho.
abraço

ZELITO

Abiga, até me emocionei lendo esse texto, pq eu vivenciei muitos desses momentos com vcs. Amei, bjo!!!!

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