As Rosas também falam
O difícil da maternidade.
July 27, 2010 |
Há pouco mais de três meses, tenho experimentado a maravilhosa experiência de ser mãe e a dura realidade de não dormir. O velho clichê “quantas noites de sono perdidas”, tão usado nas homenagens do segundo domingo de maio, agora faz parte da minha rotina. Mas o estranho é que é trabalhoso, cansativo, mas está longe de ser ruim. Amo cada pedacinho da minha filha que não me importo de acordar três vezes na madrugada para dar de mamar e trocar fralda. Realmente, a maternidade é maravilhosa.
Dentre tantas coisas boas que essa nova fase me exige, está o momento de escolher a roupinha que a Betânia vestirá depois do banho, mesmo sabendo que, em pouquíssimos minutos, um vômito descerá pela lapela, levando consigo a imagem de um bebê impecável. E é nessa hora, da escolha da roupa, não a do sono perdido, que sinto pena da minha mãe. Não pelo tempo em que fui criança, mas quando fui adolescente.
Pela busca de uma personalidade, fiz qualquer coisa. Só não fui emo porque ainda não existia o movimento. Mas confesso que minha fase surfistinha foi verdadeiramente irritante. Lembro quando fiz um limpa nas minhas bijuterias, ofertando todas à minha mãe e à filha da empregada. Dourado e prateado não entravam mais no porta-jóias, só arame de hippie. Os preferidos eram os de bamboo e, melhor ainda, se tivessem as cores da Jamaica. Passei a buscar no cifraclub letras do Bob Marley. Decorava, não entendia, mas amava. Certa vez, saí por Santo Antônio a procura de uma bota que significasse alguma coisa para minha nova vida, e encontrei, na Cinderela Calçados, uma botina da West Coast. Liguei pra mãe ir lá pagar, e tamanho foi o desespero dela que até a vendedora tentou desfazer o negócio. Não adiantou. Levei a botina.
Reza a lenda que a Su entrou nessas paradas comigo. E a Zilá também pagou pecados e prestações na Zoomb 7. Eis que fomos convidadas para o aniversário de 18 anos do Dudu Costa (que, por sinal, ainda existe, vi esses dias no bar). Nos arrumamos na casa dela, e depois a mãe foi nos buscar para levar no tal aniversário. A vestimenta era baseada nos princípios marítimos. Moletonzinho da Quiksilver, calça jeans, ela de coturno, eu de botina. Afinal de contas, a gente pegava onda, pô. Descemos do carro e a mãe foi embora, triste e cansada de pedir para trocarmos de roupa.
Como só estavam faltando as pranchas embaixo dos braços, estávamos seguras. Até enxergar os primeiros convidados da festa. No mesmo ritmo em que chegávamos, saímos de ré, até encontrar uma árvore, relativamente grande, que cobrisse nós duas. Admitimos: nossas roupas estavam inadequadas para a ocasião. E fiz o pior. Liguei pra mãe. Lembro até hoje do “Agora tu quer trocar de roupa? Pois vai ficar nessa festa de botina mesmo!”. Tenho certeza de que todos olharam para meus pés. E me deu uma vergonha.
Os anos passaram e a parte do cérebro que discorda da mãe não amadureceu. Minha mãezinha disse que era para fazer uma capinha naquela fantasia de Madrinha da Bateria no carnaval de rua de 2008. Mas juro que achei que as franjas de pedrinhas iam tapar. Cheguei na AABB, me olhei no espelho, e recorri a quem? Pedi uma capinha, e ela me mandou ir de bunda de fora mesmo. Também tenho certeza de que todos olharam. E me deu muita, mas muita vergonha.
26 de julho de 2010.
Comentários
Hahahaha, botina! Não adianta, modinhas de adolescentes são assim desde que o mundo é mundo. Uma palavra para vocês:MENUDOS
Muito bom Rô! Também tenho muita pena da D. Rejane…e no meu caso os modelitos mirabolantes que eu criava eram o de menos perto de liderar o Movimento Separatista(rsr) , bem na época em que encabeçava também o Fórum Estudantil ….sem nem comentar o teatro…Meu Deus! E minha mãe queria que eu fosse 1° Prenda(rsr)
Tudo o que vier da Lara vai ser pouco…e eu mereço!
Me aguçaste um sentimento que por anos estava guardado: a raiva que sentia por escutar tanto reggae.
Passávamos os dias ouvindo Canamarés, Bob Marleys, Natiruts e Positive Vibrations. Aguentávamos o Alemão, Balão, Nego, Totonho e seus reffs. Até o Bunda, hoje caipira universitário, e suas bermudas floriadas.
Numa adolescência que poderia ser um Faroeste Caboclo, (ou)vi tudo queimar nos Jardins da Babilônia.
Nossa Rô, me fez lembrar muitas coisas… Também tive a fase surfistinha, só faltava passar parafina no cabelo. Mas na época nem sabia onde achar parafina.rsrsrs… Mas antes disto tive a fase do bermudão xadrez até a canela, lembra? E aquela corrente de prata pindurada, que até hoje não sei pra que serve…
Eu sempre tive pavor de raggae…nunca gostei mesmo…e sobre a minha bermuda floriada, foi a 1 de SAP (inclusive ganhei do totonho e do zé…)!!
E se o sertanejo é universitário o samba/pagode é PHD!
Abrassss
Falar o que a mãe passou comigo durante a minha adolescência, seria humor negro!!
Apenas quero dizer à Rosália que adorei o texto e que eu, sem dúvida, também teria sido emo, se já existisse na época!
Quero, ainda, compartilhar com todos uma frase que aprendi com o passar dos anos: AS MÃES SEMPRE TÊM RAZÃO!!!
Não gosto de reggae até hoje, tem o Natiruts que eu gosto e Bob até um certo ponto, o resto dá nojo. Recaptulando a bermuda do Bunda, era minha mesmo, e foi a primeira bermuda floreada de SAP. Azul com florais branco e creme, da Quiksilver – modelo Kelly Slater – R$ 59,80 na L´image – tinha uma laranja também. Eu por minha vez, nunca fui de inventar nada, nunca usei camisetas de bandas, cabelos vermelhos, verdes, azuis, rosa nem nunca gostei de pindurico… mas fui emo, muito antes de existir os emos. Diz o Neguinho que eu fui o precursor deles quando tinha um moicano (rapado na máq. 01) com uma franja que ia até a boca. E ainda era surfista. Imagina só, tamanho conflito étnico.
Tem uma passagem desse meu look que foi marcante. Eu e o Neguinho passávamos pelo centro de Torres, ele ia mais a frente e a árvore de natal aqui, bem tranquilo, só observando nada. Moicano supra discreto, camiseta com a língua dos Stones, bermudão com fundilho, tênis sem meias e uma porção de correntes e brincos espalhados pelo corpo. Olho o Nego parado rindo e me explicando que duas moças se olharam ao passo dele e comentaram:
- Olha lá, olha lá!
- Olha aquela “coisa” que vem vindo!!!
Aquela “coisa” era eu.
Posso dizer que sempre tive facilidade pra adaptar todas as culturas em uma só ao mesmo tempo. Bem na real, ainda sou assim.
31.07.2010 – ZÉ LUIZ E A CAIXA BAIXA
LOCAL: MEIA MEIA 2
* Chegue cedo e evite filas gigantescas e transtornos.
28.08.2010 – CACHORRO LOUCO
Hahahaha, maravilhoso, adorei o texto!!! me lembrou muito daquela época Rô, que nada fazia mais sentido do que a moda hippie, era só o que eu pensava,e a zoombi7, hahahahaha, como tu te lembra? economizava muito almoços em poa por um moleton da mormaii… bjos
quantas lembranças Ro, nada fazia mais sentido do que a moda hippie… hahahah, e a zoombi 7, como tu te lembra? nossa, quantos almoços na puc eu economizei pra poder comprar moletonzinhos da mormaii… e mais,depois que passou o susto do níver do dudu, aproveitamos muito, nem demos mais bola, valeu a pena um pouco de vergonha para sustentar a personalidade, hehehe. bjo
Bem Gelada
Chamando a Crioula
Cachorro Louco
Festa Junina
Copa Nada Chega De FutebolZinho
Carnaval
Oktoberfest
Festa Junina
Festa do Bigode
Campeonato Mundial de Taco
Carnaval de Rua
Concentração
Amiga!!
Tenho rezado muito para que na adolescência da minha pequena, a moda seja usar roupas normais e não sair nas ruas como palhaços usando tênis de 32 cores, óculos de Chico Xavier e ouvindo Restart.
Oremos!!!
Editado: (ajoelha e chora).